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terça-feira, 6 de setembro de 2011


Exemplo: Zé do Palito


No dia 15 de maio, a corrida Desafio da Paz teve sua largada no Campo do Progresso, na Vila Cruzeiro, atravessou o morro e passou por um lugar que, seis meses antes, ficou conhecido no Brasil inteiro: a estrada por onde traficantes do Complexo da Penha fugiram em direção ao vizinho Complexo do Alemão – conjuntos de favelas ocupados por forças de segurança desde novembro. Entre os participantes estava o vendedor de sorvetes José Cantídio Leal Ferreira Neto, 50 anos, conhecido como o Sorveteiro Corredor. José fez o acidentado trajeto de 5 km em 23 minutos, sete a mais do que o vencedor, o maratonista Franck Caldeira, medalha de ouro nos Jogos Pan-Americanos do Rio, em 2007.

"Eu fui o primeiro a me inscrever. Cheguei cedinho, fiquei mais de 2 horas esperando e ganhei o número 1. O Franck Caldeira estava com o número 402 e me pediu para trocar com ele. Troquei e ficamos conversando. Depois da corrida, com subida, mata, chão de barro e pedras, ele me disse que achou o caminho difícil. Era quase uma corrida de obstáculos", conta José, morador do Complexo do Alemão há sete anos. "Aqui, quando saía tiroteio, não dava para trabalhar. Por duas vezes me abriguei com carrinho e tudo na casa dos outros. Agora dá para trabalhar todo dia."
Nascido em Recife e criado em Olinda, José mudou-se para o Rio de Janeiro aos 16 anos. Foi serralheiro, operário numa fábrica de copos e numa de guarda-chuvas e pintor de paredes, entre outras profissões, até virar vendedor de sorvete.
Há 15 anos, passou a sair com seu carrinho de domingo a domingo, das 9h às 18h. "No inverno, passo apertos, porque vendo menos sorvete. Aí preciso fazer uns biscatezinhos, trabalho de cobrador de van, pinto casa...", conta José, que só vende sorvete no copinho. A fábrica fica na Vila Cruzeiro, na Penha, uma das comunidades ocupadas pelo Exército desde o fim do ano passado. "Rodo muito, a pé o dia inteiro. Ando pela Grota, Inhaúma, Bonsucesso e vou até o Jacaré. Vendo pelas comunidades mesmo. Dia de semana, quem mais compra é adulto. Mas fim de semana só dá criança."
A corrida entrou na vida de José aos 18 anos, quando serviu ao Exército, mas ele logo a abandonou por falta de tempo. Aos 30, retomou e não parou mais. José treina todos os dias antes de trabalhar, de 7h às 8h30. Às terças e quintas, costuma ir para a Quinta da Boa Vista (parque em São Cristóvão, zona norte do Rio), onde faz os exercícios e circuitos propostos por um professor para um grupo. Não pode pagar, mas ele e uns amigos observam de longe e reproduzem as instruções. Às segundas, quartas e sextas, corre sozinho e varia o trajeto: pode ser na praça próxima ao ponto final do ônibus 312, na mata onde ocorreu o Desafio da Paz ou na rua mesmo, perto de onde mora, no Complexo do Alemão.
Até uns anos atrás, fazia parte da Associação dos Veteranos de Atletismo do Rio de Janeiro e treinava no Maracanã, orientado por um professor, seu Fred. Mas não pode mais pagar a taxa anual de 100 reais. "Era bom, seu Fred ensina bem. Tem quase 90 anos e ainda corre, quero ser igual a ele. A gente treinava corrida de 800, de 1500 metros. Em 2008, fui segundo colocado no Estadual, na faixa de 45 a 50 anos. Ganhei medalha e certificado!", lembra.
Hoje, trocou os 800 metros por meias maratonas. Lembra que em 2009 terminou uma em 1h38. "Já fiz tempo mais baixo também, mas não me lembro qual nem onde", comenta ele, que pensa em tentar a maratona um dia. "Às vezes passo 2 horas correndo em treino, é só aumentar um pouco mais. Acho que dá para fazer uma maratona em três horas e pouco."
Sua mãe, Dona Júlia, continua em Recife, mas de vez em quando vem visitar os filhos no Rio. E fica orgulhosa ao ver José. "Corro porque gosto, porque dá mais disposição para trabalhar. Ando e vendo sorvete o dia todo e não fico cansado, é a corrida que faz isso", afirma o atleta.
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segunda-feira, 5 de setembro de 2011


Será que correr é moda?


Divido com vocês uma matéria da Webrun sobre um assunto que ouço algumas pessoas comentarem com frequência,aqui em Fortaleza. Corrida de rua tá na moda?Será?
Vez ou outra alguém me diz que correr é moda. Uma coisa passageira. Que a maioria das pessoas fala que correm porque é algo chique e que agrega valor à imagem. Dá Status. Mas seria mesmo este o principal motivador da maioria dos corredores?

Um dia destes cheguei às 6h10h da manhã no Parque do Ibirapuera para treinar o pessoal do meu grupo. Fazia absurdos seis graus e ventava muito, mas o estacionamento já estava bem cheio e muita gente corria naquela condição adversa, onde permanecer na cama mais um pouco e tomar um chocolate quente parecia ser uma opção bem mais tentadora. 

Então pensei comigo: “Que raio de moda é esta que consegue arrancar o povo da cama de madrugada, para encarar esta temperatura e depois ir trabalhar feliz? Que moda é esta que leva o cidadão a vestir um short e correr no frio após um dia bem tenso de trabalho? Será que estas pessoas que dizem que correr é moda têm alguma idéia dos benefícios físicos, mentais e espirituais que obtemos com nossa corrida diária, mesmo que nós mortais corredores estejamos imensamente distantes da velocidade dos atletas olímpicos?”

Correr faz diminuir o colesterol ruim (LDL), aumentar o colesterol bom (HDL), diminuir a pressão arterial e o número de batimentos cardíacos por minuto, tornando o coração mais eficiente. Faz a pessoa perder peso, desde que não coma muito mais do que o normal, achando que por correr pode comer feito um leão. Faz a taxa de açúcar no sangue ficar mais equilibrada. A musculatura ficar com melhor tônus, os ossos mais fortes. Melhora a oxigenação cerebral, melhorando a capacidade de raciocínio. Deixa a pessoa menos estressada. 

Além disso, estimula as funções hormonais, fazendo a pessoa ficar bem mais disposta para a vida e por tanto, mais produtiva em tudo o que faz. Amplia a rede de relacionamentos, podendo facilitar uma recolocação ou uma melhor colocação no mercado de trabalho, um bom negócio, um namoro, casamento e por aí vai. Correr melhora a auto-estima, já que além de adquirir um corpo mais esguio e com menor taxa de gordura, com os treinos e provas o indivíduo fica mais persistente e sabe que é capaz de superar barreiras até então inimagináveis. Enfim, são diversos os benefícios que vão muito além da possibilidade, que para a maioria é remota, de ser o primeiro, segundo ou terceiro colocado em uma prova de corrida.

Segundo dados da Federação Paulista de Atletismo, o número de corridas de rua oficiais em São Paulo cresceu de 11 para 287 em dez anos. O número de inscritos em 2004, época que iniciou a contagem, subiu de 146.022 para 416.210 em 2010. Que moda esta que cresce em percentuais tão significativos? E que moda é esta que, segundo a professora Martha Maria Dallari em sua defesa de tese de doutorado pela Universidade de São Paulo, teve seu boom no Brasil já tem cerca de 30 anos e continua crescendo? A São Silvestre tem 86 anos e continua fazendo muito sucesso!

Quando cursava o colegial, lembro-me que era moda ser surfista. Os surfistas faziam muito sucesso entre as garotas e as lojas de Surf Wear viviam lotadas. O tempo passou, muita gente deixou de pegar, de tentar pegar ou de fingir que pegava onda, mas hoje vou à praia em pleno inverno e vejo um monte de “loucos” dentro do mar com suas pranchas, passando o dia inteiro dentro daquela água para lá de fria, esperando muitas vezes por horas, uma onda ou outra que os permita o enorme prazer de surfar. Tenho amigos que já foram ao Peru, Austrália e a tantos outros lugares do mundo, investindo pesado financeiramente e deixando muitas outras coisas importantes de lado por um período, na procura pelas melhores ondas. Passou a moda e ficou o estilo de vida.

Para o surf é necessário uma prancha, no mínimo uma tábua que não quebre e nem que sejam mínimas ondas. Para correr, apenas um bom tênis, uma boa orientação para não se machucar e disposição, pois até preso por dois meses dentro de uma mina de carvão, o corredor chileno Edson Pena fazia seus dez quilômetros diários!

Assim como aconteceu com os surfistas, os que correm por moda, ou gostarão e não pararão mais, ou realmente procurarão outra atividade, mas aposto que será uma minoria. Assim como os surfistas são considerados loucos pelos que não fazem parte de suas tribos, nós corredores também somos pelos que não fazem parte da nossa. Para estes, correr pode parecer mais uma moda. Para nós é um estilo de vida. Uma coisa que pode contaminar e não haver mais nada no mundo que consiga nos separar dela. Um amor misturado com paixão. Um prazer que faz de nossos dias algo muito melhor e nossas vidas muito mais felizes. Se correr é moda, que desfilemos cada vez mais nossos tênis, nossas roupas, nossos corpos e sorrisos pelas ruas, avenidas, praças, campos e parques de nossa cidade e do mundo!

Fonte: Prof. Nelson Evêncio- Webrun
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segunda-feira, 15 de agosto de 2011


Nascemos para correr!

Achei uma matéria bem interessante e gostaria de dividir com vocês. ;)


"Prazer, adrenalina, superação. Podemos ouvir as mais variadas respostas quando a questão é “o que leva tanta gente a correr”? Para quem não corre, nada parece ser justificável para explicar o que move a multidão que invade as ruas das principais cidades do Brasil e do mundo, principalmente aos domingos pela manhã. Mas para o paleoantropólogo David Lieberman, da Universidade Harvard, é simples: nós nascemos para correr.
Lieberman e sua equipe têm defendido ao longo da última década, que os seres humanos são atletas de longa distância natos, bichos que aprenderam a fazer da corrida uma estratégia adaptativa importante. E tudo começa com, adivinhem, qual parte do corpo? Os glúteos! Sim, isso mesmo. Nossos parentes mais próximos na escala evolutiva, os chimpanzés, a rigor quase não têm bumbum. Aliás, entre os primatas o Homo sapiens é o único bicho bundudo por excelência.
O gluteus maximus, como é conhecido o músculo traseiro entre os anatomistas, é um refinado estabilizador durante corridas de longa distância. Lieberman lembra que ele é muito usado para correr, mas quase não é ativado numa simples caminhada.
Outro ponto que leva o especialista de Harvard e seus companheiros de pesquisa a afirmar que a corrida faz parte da natureza humana é o ligamento nucal, estrutura anatômica que começa na região da nuca, como o próprio nome diz, e chega até a coluna. Os pesquisadores perceberam, durante experimentos nos quais porcos eram colocados para correr numa esteira, que os pobres suínos eram incapazes de manter a cabeça erguida durante a corrida mais longa. E isso se devia justamente ao fato de não possuírem o ligamento nucal.
Ao vasculhar fósseis dos vários períodos da evolução humana, os cientistas perceberam que as adaptações físicas e esqueléticas favoráveis à corrida são mesmo típicas do gênero Homo, em especial de formas com mais ou menos 2 milhões de anos. É justamente a fase na qual o bipedalismo “clássico”, na prática indistinguível da maneira de caminhar e correr adotada por nós ainda hoje, se firma na linhagem humana.
Para Lieberman a capacidade de andar e correr por longas distâncias teria até mesmo turbinado, indiretamente, o aumento do cérebro dos hominídeos. Isso porque os maratonistas da linhagem humana teriam conseguido alcançar mais presas na caça e também obter mais carcaças de animais mortos por outros predadores, possibilitando maior consumo de proteína e gordura, “combustíveis” indispensáveis para um órgão tão beberão de energia quanto o cérebro. Podemos dizer que, nossos ancestrais corriam para ganhar calorias e não para perdê-las.
Obviamente, a tese da equipe de Lieberman não passou sem contestação. John Hawks, especialista em evolução humana da Universidade Wisconsin, acha a ideia improvável: “se tivéssemos evoluído para correr, nasceríamos com uma garrafa de Gatorade implantada no braço”, brincou ele em seu blog.

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