domingo, 14 de julho de 2013


Maratona do Rio de Janeiro

Demorei, mas voltei...  ;)

Nunca foi tão difícil escrever um post pra cá. Deixei todas as dores passarem para que conseguisse dedicar alguns minutos e  fazer um breve relato sobre a maratona.

Rio de Janeiro - lindo como sempre!

Eu adoro aquela cidade!! Tudo ali me encanta.  Chegamos (Christiano e Sophia) lá na quarta-feira, pela manhã, e depois de nos acomodarmos na casa da Rose, fomos almoçar e dar um rápido passeio pelo Leblon. Resto do dia foi de descanso, porque a viagem foi longa... 

Quinta-feira. Vamos pegar o kit? Ao chegar ao Aterro do Flamengo, a barriga congelou e a ficha começou a cair. Eu estava ali para fazer uma maratona!!! Entrega mega tranquila, já que a maioria dos corredores só chegaria na sexta ou sábado.  De lá, fomos para o Morro da Urca e a noite, um brinde no Leblon. 

Sexta-feira. Dia de programa da Sophia. Ela queria ir a um zoológico então fomos bater na Quinta da Boa Vista. Ô lugar lindo! Além do zoo, tem o Museu Nacional e o lugar é ótimo para relaxar, fazer piquenique , andar de bike e correr. Depois, foi a vez do passeio do Christiano: Clube de Regatas Flamengo. E eu? Escolhi o Forte de Copacabana e um lanchinho da Confeitaria Colombo. 
Sábado. O emocionante Cristo Redentor. Ô lugar pra ter uma energia boa... Apesar da muvuca de turistas, a sensação de tranquilidade é incrível. Dá pra entender?! Subir no trenzinho é um charme a parte. Você vai apreciando a Floresta da Tijuca e uma vista incrível do RJ. Passeio que agrada adultos e crianças. Sophia amou! 
A tarde, o Christiano foi o chef e fez um feijão verde delicioso pra Rose. Comi MUITO! #) 
A noite, o velho e bom shopping pra Sophia brincar um pouco e eu me jogar na massa pré-corrida. =)
Fim do dia e só me restou arrumar toda a tralha para o dia "D".  Nada poderia ficar pro dia seguinte e separar os acessórios era uma maneira de tentar me acalmar. Estômago dava voltas e percebi que nada me acalmaria. Preciso dizer que foi um martírio conseguir dormir? =)



O dia mais esperado. Maratona Caixa do Rio de Janeiro.

Despertador deveria tocar às 3:20 da madruga, mas claro que eu acordei antes dele. Frio no Rio e a esperança de uma temperatura boa, aumentava a expectativa de uma prova bacana. Arrumei os detalhes, tomei um bom café da manhã e fui para o Aterro do Flamengo, onde pegaria um ônibus para a largada da prova. 
Além do frio na barriga,eu tremia por conta dos 12º marcados no termômetro da rua. Esperei no Aterro até encontrar alguns colegas da assessoria e de lá fomos pra largada. Quase 1 hora de viagem! No caminho, você tenta se distrair olhando a paisagem, mas é inevitável não pensar na prova.

Chegamos na largada com mais de uma hora de antecedência. Frio, frio, frio!! Fui passear entre os corredores para tentar aliviar a tensão. Multidão!!! Vi muita gente de Fortaleza, encontrei  alguns colegas queridos e comecei a relaxar mais.  Se desesperar pra que,né?! Não dava mais pra voltar atrás. Nem queria!

Clima do local tava bacana, você sentia uma energia contagiante. Todo mundo ali buscando realizar um desafio pessoal e na minha cabeça, um filme sobre tudo o que vivi até chegar ali.


Passei a semana 'reclamando' do frio no Rio e o que acontece na hora em que eu mais precisava dele?! Sumiu! Na largada, o sol já mostrava que seria um companheiro fiel durante todo o percurso.

♫ Do Leme ao Pontal
Não há nada igual ♪

Meu caro Tim Maia, você diz isso porque não sabe o que acontece do Pontal ao Leme. Tudo é único! 

Soa a buzina e o coração dispara... Primeiros passos dados e eu comecei a sentir dores nos dois Aquiles. Não poderia ser nada de preocupante,bastaria o corpo aquecer para aquele incômodo sumir. E assim foi...

Os primeiros quilômetros serviram pra sentir o corpo (e o calor!) e a ficha cair de vez.  Na estratégia da prova, eu pensei em um ritmo estabelecido e uma média do tempo que eu queria concluir a maratona. 

Tudo dentro do planejado até o km 17. O ritmo estava bem encaixado e o corpo não reclamava de nada. Até o km 17. Depois... 

Não acho justificativas para 3 pit stops por causa de... dor de  barriga?!  Não comi nada além do normal, então só posso crer que foi psicológico. Aí,meu povo, quando você para e o corpo esfria, nem pela glória dá pra voltar ao ritmo anterior.  Era óbvio que eu não conseguiria fazer a prova no tempo imaginado, então só me restava aproveitar a 'brincadeira'. 

Os quilômetros iniciais são chatos e solitários! De um lado o mar e do outro, mato. A situação melhora quando entramos na Barra e já tem gente pra te incentivar, o que ajuda muito.

Cheguei ao local onde a turma da Meia largou, vi corredores com medalhas no pescoço e pensei: " Pq eu não vim fazer só os 21,hein? Ainda tem mais 21k pela frente!" Olha, se você não estiver muito afim de vencer um desafio desses, você para ali mesmo. 

Elevado do Joá. É a 1ª subida da prova e é daquelas que parecem não ter fim. Se eu já não curto, imagina uma dessas...  Mas, cá entre nós, o visual que você tem de lá é lindo! Você até esquece as dores. Ou não...

A partir daí, você começa a ouvir um som nada agradável: sirenes de ambulância.  Me dá uma coisa ruim... No decorrer da prova, vi duas pessoas desmaiadas e me dá um aflição enorme.

Do Joá para a temida subida da Av.Niemeyer e o muro dos 30k. Muitos só consideram ela como subida de verdade por causa do acentuado aclive. Aqui, as pernas estão destruídas e o ritmo cai consideravelmente. Pernas queimavam e eu andei em alguns trechos. Em vááááários momentos, contei com o incentivo de corredores/staff que me chamavam pelo nome (na camisa) e aquilo me dava um pouco mais de energia e eu voltava a correr. É uma briga constante entre corpo e mente. Você manda nas pernas e elas fazem de conta de que não é com elas.  A Niemeyer teve seu lado bom. Sem sol! \o/ Correndo colada na pedra e o clima era bem agradável, foi esquentar um pouco quando passamos pelo Vidigal. 

Tchau, Niemeyer e bem vinda ao Leblon. Aqui o coração disparou... Eu sabia que minha torcida (Christiano, Sophia e Rose) estava me esperando lá. Fiz uma pequena pausa lá e mandei uma banana pra aliviar a fome. Não dá pra aguentar isso só com carbo e sais,meu povo!

 Christiano me perguntou: "Dá pra continuar?!" Ele perguntou só por perguntar, porque ele sabia que eu não abandonaria a prova SÓ por causa do cansaço. Só saio de uma prova se eu ( toc toc toc) apagar e me retirarem dela, caso contrário...

Leblon-Ipanema-Copacabana. Os piores 12km do mundo. O pensamento era: "Só faltam 12km!" Ora só 12... Eram 12 que pareciam os 42. Já estávamos na orla e por mais que eu procurasse, não achava uma minúscula sombra.  Travava uma batalha cruel pra conseguir correr e levantar os pés era uma tarefa árdua. Aqui, eu pensei em tudo o que havia acontecido até que eu chegasse ali. Em 1/5/11, eu participava da minha 1ª corrida de rua. Fiz 1km e parecia a glória eterna. Mais de dois anos se passaram e eu estava correndo uma maratona e seus 42.195m. Não era um sonho. Nunca foi um sonho. Nem nos meus maiores delírios, imaginaria correr uma maratona. Lembro que no início deste ano, ao conversar com o Rafa e ser indagada sobre meus objetivos, eu disse que faria duas meias e era pra ser feliz. E veio a proposta: "Pq não uma maratona? Dá tempo de se preparar pra isso." Desafio proposto,desafio aceito. 
Durante essa batalha final, lembrei que o gigante Djacir me disse um dia:" maratona é um passo após o outro." E assim eu fui. Um passo por vez para vencer aquele desafio.

Última parada. Em Copacabana, tinha um posto distribuindo biscoitos e eu peguei 4. Só que não havia água por perto... Fuén fuén fuén. Entalei total. O que eu fiz? Me aguniei? Que nada! Parei no posto 5 e comprei uma coca cola. Foi a decisão mais acertada. Dei uma bela revigorada e aguentei correr direitinho até o final da prova.

Km 40. Só mais 2... Já estava dentro do Aterro do Flamengo e era muito bom ouvir "tá perto!", "a chegada tá logo ali", "parabéns, você é uma guerreira". É bom demais... Apertei o passo e corri,corri,corri... Era só felicidade! O visual era incrível, o Cristo Redentor estava olhando pra mim e o Pão de Açúcar me lembrava o quão doce seria minha medalha.

Ao entrar no cercado da chegada e ver o pórtico, eu não pensava mais em nada e não sentia mais nenhuma dor. Ouvi os gritos da galera que havia terminado a prova, os gritos do Christiano e tudo era música para meu ouvidos. Peguei a Sophia e juntas, corremos os últimos metros da prova.  Chorava feito criança... Era uma sensação indescritível, só correndo uma maratona pra entender.  A Sophia correndo rápido e eu pedindo: "calma, que eu não aguento!" Ela tava mega empolgada! Cruzamos juntas o pórtico de chegada e com muito orgulho,deixei a moça colocar a medalha em meu pescoço. Era minha e nada mudaria isso. 
Foram 5:22:37s de dores, frustração, prazer, alegrias,lágrimas e sorrisos. 





Final de prova e a sensação de dever cumprido, fez com que todas as dores sumissem. 

Muito prazer! Sou Rita, uma maratonista! \o/ \o/ \o/ 



Nos últimos treinos, eu sempre disse que seria a primeira e única maratona e todos falavam que eu mudaria meu pensamento depois da prova. Ô povo sábio,viu? Farei outra sim,acho que em 2014. Sei que posso fazer melhor e vou fazer!

"Somos diferentes, na essência, de outros homens. Se você quer vencer algo ou simplesmente correr, corra os cem metros. Se você quer uma experiência nova, um novo estilo de vida, corra a maratona.  (Emil Zatopek)" 

"A maratona é um evento carismatico pois tem de tudo. Drama, competição, camaradagem e heroísmo. Nem todo corredor pode sonhar em ser campeão olímpico, mas, todos podem sonhar em terminar uma maratona.” (Fred Lebow)

"Para descrever a maratona para alguem que nunca correu e algo como que tentassemos explicar as cores para quem nasceu cego.  (Jerome Drayton, 2h10min Marathoner)"

“Treinar para uma maratona é um ato de fé. Correr uma maratona é um ato de coragem. Com fé e coragem pessoas comuns podem fazer grandes coisas!”


"Maratona, são 30km de força física,12km de força mental e 195m de satisfação total. são 30km de pernas, 12km de coração e cabeça e 195m de lágrimas."







8 Comentários

8 comentários:

Correndo o Mundo disse...

Parabéns mais uma vez!
Lia

Diniz disse...

Putz, Rita, me emocionei muito com esse post, e depois de ler, aí é que bateu a vontade de correr outra maratona. Mas vou deixar pra 2014 mesmo! Parabéns, guerreira!

Marcela de Oliveira disse...

Parabéns!! Tb corri a maratona pela primeira vez e passei rxatamente pelas mesmas dificuldades que vc! Entalar em Copa com biscoito e não ter água foi o fim! Tb passei por isso. Sem contar que fiz xixi nas calças duas vezes pois não queria partar e esfriar!! kkkkk. Mais uma vez parabéns!!

Unknown disse...

Parabéns!! A Maratona do Rio é show demais!

A frase acima que você postou diz tudo sobre o que é correr uma maratona (Maratona, são 30km de força física,12km de força mental e 195m de satisfação total. são 30km de pernas, 12km de coração e cabeça e 195m de lágrimas.).

Parabéns.

ivana. disse...

Nossa, Rita, emocionante o teu relato. PARABÉNS POR MAIS UMA CONQUISTA. Te admiro um monte, guria !!! Beijo carinhoso e boa semana.

Rô Barbieri disse...

Guerreiraaaaaaaaaa!!!
Admiração totall por essa menina linda!
Emocionante, lindo, incrível, muita força física e mental, muitas renúncias e muita dedicação!
Parabéns por cada passada, o tempo é o de menos, o que importa é sua grande conquista!!
Beijoss

Unknown disse...

Parabéns pela estreia nos 42k e pelo belo relato, Rita. Difícil ser primeira e única, hein? Conheço poucos que ficaram nisso... Que venham outras, sempre um passo depois do outro, sempre com saúde e muita alegria.

Abraços!

Juh Marques disse...

Rita.. não nos CONHECEMOS a muito tempo, mas como nós duas sabemos..o mundo da corrida nos apresenta pessoas incríveis....você é uma delas. Te digo com toda a sinceridade.. que sinto um orgulho medonho de ti..acompanhei seus posts(indo para o treino, seus tempos) sei o quanto estava preparada e torci muito!!!(continuarei torcendo sempre!). Ler seu relato só reforça ainda mais a vontade que tenho de fazer os 42km...e 2014 tu vai dominar total esses 42km viu!!(#fato) ;**

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