domingo, 15 de dezembro de 2013


2013

Hi!
Não poderia deixar 2013 ir embora de vez, sem vir por aqui... 

2013 foi um ano especial. Estava relembrando as provas, os treinos, as dores, as lágrimas, as alegrias... É um belo exercício de memória. E eu sempre me surpreendo ao perceber que consigo lembrar de cada corrida e o que ela acrescentou em mim.

Foram 19 provas. 19 sensações diferentes. E sempre uma história pra contar.

Corri.
Andei.
Parei.
Reclamei.
Chorei.
Refleti.
Corri.

Sempre vou lembrar que, em 2013 eu corri uma M.A.R.A.T.O.N.A. Quando foi proposto, achei que não conseguiria. Não foi fácil. Mas cruzar aquela linha de chegada  foi de uma emoção única... Inesquecível. 

Maratona foi um divisor de águas. 
Depois de uma prova como essa e as provações que você passa durante os treinos, a mudança é previsível. Sei o que posso fazer, sei que posso sempre ir além. Sempre um pouco mais.
Depois dela, mudei. Desanimei pra ser sincera. Sofri da tal depressão tão comentada, porque você fica sempre com um pensamento: " qual será meu grande objetivo agora?" E quando não tem algo próximo, algo concreto, você para. 
Parei.  

E como foi difícil voltar...  Ao ritmo, ao peso...
E a cabeça começa a cutucar: 'tá vendo? Foi parar...' 

Foi aí que aprendi a aceitar. Aceitar que tudo tem um motivo, um porque. Escolhi parar, então engole o choro e corre atrás.

Corri. 
E a sensação de estar voltando ao ritmo de antes é uma maravilha. Sentir a mente e as pernas responderem ao esforço é coroar todo esforço feito durante os meses. 

Pode vir, 2014! E traga quantos kms você quiser. Se não estiver pronta, ficarei!









Um dos melhores textos sobre as sensações da corrida.
Imagem copiada do blog da Jacke Reis


P.s- Provas oficiais acabaram, mas no próximo dia 21, faço a #MarathonTest da Zonaalvo. Um belo desafio de 42km e puro sol! 
Conto depois! ;)


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segunda-feira, 22 de julho de 2013


Existe vida após a maratona?

Voltar aos treinos após uma maratona não é nada fácil.
Sério. 

O corpo está bem longe de 100% de recuperação, você pensa que correu tanto e pode parar um pouco, falta vontade, falta inspiração. Você tem alguns momentos de delírio e mega vontade de sair correndo, mas passa. 

Não acho que passei por uma depressão pós prova. Na semana seguinte a maratona, eu estava com o dedão inchado e muito dolorido. Foi minha 'sorte'. Todas essas 'desculpas' ditas anteriormente, foram deixadas de lado por causa da dor. Não dava pra calçar nenhum sapato fechado,então a culpa pela ausência nos treinos diminuía.  

Mas eu precisava voltar. E voltei após 10 longos dias...  A sensação foi muito boa, mas era perceptível que o corpo não estava totalmente recuperado. Nem esperava que estivesse, afinal foram só 10 dias de descanso. 

Li algumas matérias sobre o assunto e compartilho um texto bem bacana com vocês.

A recuperação após maratona


Pelo Prof. JOÃO ABRANTES

A maratona é, sem dúvida, uma das competições desportivas mais exigentes em termos de desgaste muscular, fisiológico e mesmo psicológico, não só do atletismo, mas de todas as modalidades desportivas.
Completar uma maratona é, para qualquer atleta, um desafio emocionante, mas que implica uma excelente condição física e psicológica, um grande espírito de sacrifício e uma enorme força de vontade, uma preparação longa e muito rigorosa, uma grande perseverança ao longo de todos os meses dessa preparação, um planeamento de treino cuidadoso, e um grande cuidado com a saúde, nomeadamente no que respeita à recuperação e à nutrição.
Esta é, pois, uma prova muito especial, que exige dos atletas um esforço enorme, por vezes levando-os mesmo aos limites das suas capacidades. Por isso, para além de toda a preparação que permite atingir o objetivo de completar esta prova, torna-se fundamental uma recuperação pós maratona, planeada e executada com tanto rigor como foi o treino para a prova, para permitir ao atleta, não só recuperar completamente do enorme esforço realizado, como permitir-lhe recomeçar novamente o seu treino em perfeitas condições físicas e psicológicas. Uma recuperação mal feita pode pôr em causa o resto da época, aumentando o perigo do aparecimento de lesões.
Sendo a maratona uma prova tão intensa e de recuperação tão demorada, normalmente os atletas correm uma ou duas maratonas por época anual. Isto significa que a recuperação pós maratona não se deve encarar como uma recuperação de uma prova normal, só que mais desgastante, mas também como um período de transição entre o fim de um ciclo de treino que terminou na realização da maratona e o início de um novo ciclo de treino com um novo objectivo competitivo, que muitas vezes passa pela participação numa nova maratona e com objetivos desportivos por vezes ainda mais exigentes.
Assim, os atletas têm que recuperar de forma não só a regenerar o seu organismo em termos musculares e fisiológicos, de um esforço muito forte, mas também a recuperarem em termos psicológicos de um ciclo de treino longo, que terminou numa prova muito dura e exigente ao nível psicológico, para reencontrarem toda a motivação necessária para iniciarem um novo ciclo de treino a cem por cento.
Antigamente havia a ideia de que após a maratona os atletas deviam parar completamente de treinar, fazendo um período de repouso de uma a duas semanas. Não partilhamos dessa teoria, pois uma parada prolongada após a maratona vai criar ainda mais dificuldades no regresso aos treinos.
Além do desgaste psicológico, a maratona tem um enorme desgaste físico. A nível muscular, correr mais de 42 quilômetros em piso de asfalto é muito duro para os Tendões de Aquiles, para os músculos das pernas, nomeadamente os Gêmeos e também para as costas. O choque do pé no solo a cada passada de corrida corresponde a um força entre três e cinco vezes o peso do corpo do atleta. Esta força varia conforme o tipo de piso (quanto mais duro, maior a força exercida), a velocidade de corrida (quanto maior a velocidade maior a força exercida) e o peso do corpo (quanto mais pesado maior a força exercida). O impacto do apoio do pé no solo é absorvido em parte pelo sapato de corrida, mas a maior parte é transmitida diretamente às pernas e às costas. Se um atleta de 70 Kg suportar em cada passada de corrida um impacto de 280 Kg, durante mais de 42 quilômetros, compreende-se a razão das dores musculares após uma maratona.
Outro aspecto muito importante é a desidratação. Por exemplo, em 1968, foi testado durante uma maratona o conhecido campeão Alain Mimoun, que perdeu durante a prova mais de 4 kg de suor. Sabendo-se que a evaporação de 1 litro de suor faz perder 580 kcal, podemos também verificar a intensidade do esforço em termos fisiológicos.
Além dos cuidados que o atleta deve ter antes e durante a prova (nos abastecimentos), nomeadamente com a hidratação, imediatamente após a prova o atleta deve começar a ingerir bastantes líquidos (água ou bebidas isotônicas), devendo fazê-lo muitas vezes e em pequenas porções.
No dia seguinte começa o período de recuperação que nunca deve durar menos de duas a três semanas. Apesar das dores provocadas pela prova, é muito importante que nos dois dias a seguir à prova se faça um treino muito ligeiro,20 minutos muito lento e em terreno macio. Se as dores musculares não o permitirem, pode-se fazer uma pequena sessão de natação. Este repouso ativo vai acelerar o processo de recuperação, ajudando o organismo a eliminar as toxinas acumuladas durante o esforço. Depois destes dois primeiros dias de recuperação pode-se então fazer um ou dois dias de repouso absoluto. Durante esses dias pode-se utilizar meios auxiliares de recuperação, como os banhos de imersão, as massagens, etc., mesmo se não o fazem regularmente e não estão habituados, não há qualquer problema. Outro meio eficaz na recuperação são os duchas alternadas de água fria e água quente, pois facilitam a circulação e permitem uma melhor recuperação.
Durante toda a primeira semana após a prova a alimentação deve continuar a ser bastante digestiva e com fruta fresca a todos os pequenos-almoços. Deve-se também preferir o chá ao café e andar sempre com uma garrafa de água mineral, para beber muitas vezes ao longo do dia.
Após esta primeira semana, deve-se recomeçar a treinar de forma muito progressiva, utilizando apenas corrida contínua seguida de ligeiras sessões de flexibilidade e alongamentos. A corrida contínua durante a primeira semana não deve ultrapassar os trinta minutos, o ritmo deve ser ligeiro e a escolha do local de treino também é importante, pois se o atleta tiver a possibilidade de correr em locais macios como a grama, deve fazê-lo. A partir da primeira ou da segunda semana, cada um pode ir aumentando de forma muito progressiva o seu tempo de corrida contínua, tentando sempre fazê-lo de acordo com a sua própria recuperação.
Neste aspecto há que individualizar o treino, pois cada um reage de forma diferente ao esforço. Sabemos que a maioria dos atletas treina em conjunto e pode haver a tendência de querer acompanhar os outros atletas do grupo, mesmo quando ainda não se está em condições de o fazer. Há que escutar o corpo e treinar de acordo com as possibilidades, pois cada um tem o seu tempo de recuperação próprio. Além dos aspectos relativos ao treino, há que ter cuidados com o descanso (dormir bastante) e com a alimentação.


Antes de voltar aos treinos da assessoria,  eu participei da Corrida do Fogo e o corpo reclamou. Foram 8k que parecem 21k! Terminei a corrida com as pernas tremendo! 
Os queridos Carlinhos e Juliana.

Agora, sinto que o corpo melhorou e já já estará 100% de novo.

No último sábado, a assessoria promoveu um cross duatlhon e eu fui ver se esse negócio de corre-pedala-corre era bom.
Escolhi o "speed duathlon" com a distância de 2,5k (run) + 10k (bike) +  2,5(run). Moleza,né?! Ô sonho...
Eu não tenho uma relação muito boa com bicicletas. Cansa muito e minhas coxas pegam fogo. Pedalar esses 10k não foi uma maravilha e correr estes 2,5k depois, foi na raça.
Deixei a bicicleta na área do desmonte e comecei a correr. Gizuiz! Pernas pareciam de chumbo! Nunca havia sentido minhas pernas tããããão pesadas. Graças ao Tim, que me deu dicas de ouro e foi explicando o que eu estava sentindo, eu consegui fazer os 2,5 num ritmo bom. Juro, se ele não tivesse me acompanhado, eu não correria esse último trecho.
Haja treino pra se acostumar com essas transições.
Foi uma experiência bacana! O novo costuma nos assustar, mas vencer mais este 'desafio', fez um bem danado. 
Quem sabe eu não me animo para outros,né?! Quem sabe...  ;)

Próxima parada: 10k no Circuito Caixa 










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domingo, 14 de julho de 2013


Pedacinhos da medalha


Este é um post de agradecimento.. 


Não fiz e nem conquistei esta maratona sozinha. Seria impossível sem a ajuda e incentivo de muita gente. 

Christiano e Sophia - Foi pra vocês. Obrigada pela paciência e compreensão. Lembro que após o Rafael propor a maratona, fui conversar com o Christiano sobre a ideia e ele me apoiou na hora. 
Sei que os treinos na madrugada eram motivo de preocupação e sono perdido, mas você sabia que eram necessários. Desculpa pelo mau humor quando fiquei sem treinar, pelas abdicações de passeios e outras restrições.  Obrigada pelas boas vibrações, obrigada por colocar o freio em várias situações, mesmo eu sendo contrária. Foi emocionante ouvir teus gritos naquela chegada, me senti a campeã da prova...

Zonaalvo e turma da Maratona - Fundamentais para que eu conseguisse cruzar aquele pórtico. As dicas do Rafa, o apoio dos professores, principalmente da Mayara que nos acompanhou em 99% dos treinos e a infraestrutura oferecida para que os treinos fossem um sucesso. Muito bom contar com vocês.
Turma da maratona: vocês foram únicos! Foi um prazer compartilhar tantos momentos, brincadeiras, reclamações, cansaço e a glória da prova. Vocês me motivaram sempre.

Barbie - Como eu te disse no Rio, um pedaço da medalha é seu. Creio que nada disso aconteceria se eu não tivesse parado no seu blog, em 2011. Obrigada pelo incentivo de sempre! Você é o maior exemplo de disciplina que tenho! Grata sempre!

Rose - Joelhos lindos! É por causa deles que eu corro. =)  Foi um presente ter você por perto neste momento.  Obrigada pelo apoio, amizade e receptividade.

Djaça - Você é O cara! Gigante, humilde e um exemplo de corredor. Durante a prova lembrei de tudo o que você me falou e de todas as dicas. Essenciais.

Grupos de corrida do facebook - Vocês podem até não saber, mas as experiências de vocês, relatos de provas e incentivos, também me ajudaram nessa caminhada. 

Pupilas - É muito bom contar com vocês. Todas são exemplo e inspiração! Obrigada pelo apoio!

Amigos cearenses - Vocês também fazem parte disso. Sei que devo ter enchido a paciência por só falar em corridas. Desculpa e obrigada! Cada incentivo,valeu ouro! 


De coração, agradeço e dedico esta medalha tão especial à vocês!




























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Maratona do Rio de Janeiro

Demorei, mas voltei...  ;)

Nunca foi tão difícil escrever um post pra cá. Deixei todas as dores passarem para que conseguisse dedicar alguns minutos e  fazer um breve relato sobre a maratona.

Rio de Janeiro - lindo como sempre!

Eu adoro aquela cidade!! Tudo ali me encanta.  Chegamos (Christiano e Sophia) lá na quarta-feira, pela manhã, e depois de nos acomodarmos na casa da Rose, fomos almoçar e dar um rápido passeio pelo Leblon. Resto do dia foi de descanso, porque a viagem foi longa... 

Quinta-feira. Vamos pegar o kit? Ao chegar ao Aterro do Flamengo, a barriga congelou e a ficha começou a cair. Eu estava ali para fazer uma maratona!!! Entrega mega tranquila, já que a maioria dos corredores só chegaria na sexta ou sábado.  De lá, fomos para o Morro da Urca e a noite, um brinde no Leblon. 

Sexta-feira. Dia de programa da Sophia. Ela queria ir a um zoológico então fomos bater na Quinta da Boa Vista. Ô lugar lindo! Além do zoo, tem o Museu Nacional e o lugar é ótimo para relaxar, fazer piquenique , andar de bike e correr. Depois, foi a vez do passeio do Christiano: Clube de Regatas Flamengo. E eu? Escolhi o Forte de Copacabana e um lanchinho da Confeitaria Colombo. 
Sábado. O emocionante Cristo Redentor. Ô lugar pra ter uma energia boa... Apesar da muvuca de turistas, a sensação de tranquilidade é incrível. Dá pra entender?! Subir no trenzinho é um charme a parte. Você vai apreciando a Floresta da Tijuca e uma vista incrível do RJ. Passeio que agrada adultos e crianças. Sophia amou! 
A tarde, o Christiano foi o chef e fez um feijão verde delicioso pra Rose. Comi MUITO! #) 
A noite, o velho e bom shopping pra Sophia brincar um pouco e eu me jogar na massa pré-corrida. =)
Fim do dia e só me restou arrumar toda a tralha para o dia "D".  Nada poderia ficar pro dia seguinte e separar os acessórios era uma maneira de tentar me acalmar. Estômago dava voltas e percebi que nada me acalmaria. Preciso dizer que foi um martírio conseguir dormir? =)



O dia mais esperado. Maratona Caixa do Rio de Janeiro.

Despertador deveria tocar às 3:20 da madruga, mas claro que eu acordei antes dele. Frio no Rio e a esperança de uma temperatura boa, aumentava a expectativa de uma prova bacana. Arrumei os detalhes, tomei um bom café da manhã e fui para o Aterro do Flamengo, onde pegaria um ônibus para a largada da prova. 
Além do frio na barriga,eu tremia por conta dos 12º marcados no termômetro da rua. Esperei no Aterro até encontrar alguns colegas da assessoria e de lá fomos pra largada. Quase 1 hora de viagem! No caminho, você tenta se distrair olhando a paisagem, mas é inevitável não pensar na prova.

Chegamos na largada com mais de uma hora de antecedência. Frio, frio, frio!! Fui passear entre os corredores para tentar aliviar a tensão. Multidão!!! Vi muita gente de Fortaleza, encontrei  alguns colegas queridos e comecei a relaxar mais.  Se desesperar pra que,né?! Não dava mais pra voltar atrás. Nem queria!

Clima do local tava bacana, você sentia uma energia contagiante. Todo mundo ali buscando realizar um desafio pessoal e na minha cabeça, um filme sobre tudo o que vivi até chegar ali.


Passei a semana 'reclamando' do frio no Rio e o que acontece na hora em que eu mais precisava dele?! Sumiu! Na largada, o sol já mostrava que seria um companheiro fiel durante todo o percurso.

♫ Do Leme ao Pontal
Não há nada igual ♪

Meu caro Tim Maia, você diz isso porque não sabe o que acontece do Pontal ao Leme. Tudo é único! 

Soa a buzina e o coração dispara... Primeiros passos dados e eu comecei a sentir dores nos dois Aquiles. Não poderia ser nada de preocupante,bastaria o corpo aquecer para aquele incômodo sumir. E assim foi...

Os primeiros quilômetros serviram pra sentir o corpo (e o calor!) e a ficha cair de vez.  Na estratégia da prova, eu pensei em um ritmo estabelecido e uma média do tempo que eu queria concluir a maratona. 

Tudo dentro do planejado até o km 17. O ritmo estava bem encaixado e o corpo não reclamava de nada. Até o km 17. Depois... 

Não acho justificativas para 3 pit stops por causa de... dor de  barriga?!  Não comi nada além do normal, então só posso crer que foi psicológico. Aí,meu povo, quando você para e o corpo esfria, nem pela glória dá pra voltar ao ritmo anterior.  Era óbvio que eu não conseguiria fazer a prova no tempo imaginado, então só me restava aproveitar a 'brincadeira'. 

Os quilômetros iniciais são chatos e solitários! De um lado o mar e do outro, mato. A situação melhora quando entramos na Barra e já tem gente pra te incentivar, o que ajuda muito.

Cheguei ao local onde a turma da Meia largou, vi corredores com medalhas no pescoço e pensei: " Pq eu não vim fazer só os 21,hein? Ainda tem mais 21k pela frente!" Olha, se você não estiver muito afim de vencer um desafio desses, você para ali mesmo. 

Elevado do Joá. É a 1ª subida da prova e é daquelas que parecem não ter fim. Se eu já não curto, imagina uma dessas...  Mas, cá entre nós, o visual que você tem de lá é lindo! Você até esquece as dores. Ou não...

A partir daí, você começa a ouvir um som nada agradável: sirenes de ambulância.  Me dá uma coisa ruim... No decorrer da prova, vi duas pessoas desmaiadas e me dá um aflição enorme.

Do Joá para a temida subida da Av.Niemeyer e o muro dos 30k. Muitos só consideram ela como subida de verdade por causa do acentuado aclive. Aqui, as pernas estão destruídas e o ritmo cai consideravelmente. Pernas queimavam e eu andei em alguns trechos. Em vááááários momentos, contei com o incentivo de corredores/staff que me chamavam pelo nome (na camisa) e aquilo me dava um pouco mais de energia e eu voltava a correr. É uma briga constante entre corpo e mente. Você manda nas pernas e elas fazem de conta de que não é com elas.  A Niemeyer teve seu lado bom. Sem sol! \o/ Correndo colada na pedra e o clima era bem agradável, foi esquentar um pouco quando passamos pelo Vidigal. 

Tchau, Niemeyer e bem vinda ao Leblon. Aqui o coração disparou... Eu sabia que minha torcida (Christiano, Sophia e Rose) estava me esperando lá. Fiz uma pequena pausa lá e mandei uma banana pra aliviar a fome. Não dá pra aguentar isso só com carbo e sais,meu povo!

 Christiano me perguntou: "Dá pra continuar?!" Ele perguntou só por perguntar, porque ele sabia que eu não abandonaria a prova SÓ por causa do cansaço. Só saio de uma prova se eu ( toc toc toc) apagar e me retirarem dela, caso contrário...

Leblon-Ipanema-Copacabana. Os piores 12km do mundo. O pensamento era: "Só faltam 12km!" Ora só 12... Eram 12 que pareciam os 42. Já estávamos na orla e por mais que eu procurasse, não achava uma minúscula sombra.  Travava uma batalha cruel pra conseguir correr e levantar os pés era uma tarefa árdua. Aqui, eu pensei em tudo o que havia acontecido até que eu chegasse ali. Em 1/5/11, eu participava da minha 1ª corrida de rua. Fiz 1km e parecia a glória eterna. Mais de dois anos se passaram e eu estava correndo uma maratona e seus 42.195m. Não era um sonho. Nunca foi um sonho. Nem nos meus maiores delírios, imaginaria correr uma maratona. Lembro que no início deste ano, ao conversar com o Rafa e ser indagada sobre meus objetivos, eu disse que faria duas meias e era pra ser feliz. E veio a proposta: "Pq não uma maratona? Dá tempo de se preparar pra isso." Desafio proposto,desafio aceito. 
Durante essa batalha final, lembrei que o gigante Djacir me disse um dia:" maratona é um passo após o outro." E assim eu fui. Um passo por vez para vencer aquele desafio.

Última parada. Em Copacabana, tinha um posto distribuindo biscoitos e eu peguei 4. Só que não havia água por perto... Fuén fuén fuén. Entalei total. O que eu fiz? Me aguniei? Que nada! Parei no posto 5 e comprei uma coca cola. Foi a decisão mais acertada. Dei uma bela revigorada e aguentei correr direitinho até o final da prova.

Km 40. Só mais 2... Já estava dentro do Aterro do Flamengo e era muito bom ouvir "tá perto!", "a chegada tá logo ali", "parabéns, você é uma guerreira". É bom demais... Apertei o passo e corri,corri,corri... Era só felicidade! O visual era incrível, o Cristo Redentor estava olhando pra mim e o Pão de Açúcar me lembrava o quão doce seria minha medalha.

Ao entrar no cercado da chegada e ver o pórtico, eu não pensava mais em nada e não sentia mais nenhuma dor. Ouvi os gritos da galera que havia terminado a prova, os gritos do Christiano e tudo era música para meu ouvidos. Peguei a Sophia e juntas, corremos os últimos metros da prova.  Chorava feito criança... Era uma sensação indescritível, só correndo uma maratona pra entender.  A Sophia correndo rápido e eu pedindo: "calma, que eu não aguento!" Ela tava mega empolgada! Cruzamos juntas o pórtico de chegada e com muito orgulho,deixei a moça colocar a medalha em meu pescoço. Era minha e nada mudaria isso. 
Foram 5:22:37s de dores, frustração, prazer, alegrias,lágrimas e sorrisos. 





Final de prova e a sensação de dever cumprido, fez com que todas as dores sumissem. 

Muito prazer! Sou Rita, uma maratonista! \o/ \o/ \o/ 



Nos últimos treinos, eu sempre disse que seria a primeira e única maratona e todos falavam que eu mudaria meu pensamento depois da prova. Ô povo sábio,viu? Farei outra sim,acho que em 2014. Sei que posso fazer melhor e vou fazer!

"Somos diferentes, na essência, de outros homens. Se você quer vencer algo ou simplesmente correr, corra os cem metros. Se você quer uma experiência nova, um novo estilo de vida, corra a maratona.  (Emil Zatopek)" 

"A maratona é um evento carismatico pois tem de tudo. Drama, competição, camaradagem e heroísmo. Nem todo corredor pode sonhar em ser campeão olímpico, mas, todos podem sonhar em terminar uma maratona.” (Fred Lebow)

"Para descrever a maratona para alguem que nunca correu e algo como que tentassemos explicar as cores para quem nasceu cego.  (Jerome Drayton, 2h10min Marathoner)"

“Treinar para uma maratona é um ato de fé. Correr uma maratona é um ato de coragem. Com fé e coragem pessoas comuns podem fazer grandes coisas!”


"Maratona, são 30km de força física,12km de força mental e 195m de satisfação total. são 30km de pernas, 12km de coração e cabeça e 195m de lágrimas."







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segunda-feira, 1 de julho de 2013


Falta cada vez menos...

É vapt-vupt!

No post anterior, compartilhei com vocês um vídeo do Lucho Runner onde eu disse que poderia dizer cada palavra dita por ele no vídeo.

E hoje, o Lucho compartilha um texto de arrepiar sobre a Maratona Caixa do Rio de Janeiro.

Vale MUITO a leitura!!

Arrepiem-se!!


Maratona do Rio: "A gloria dos 42 Quilômetros"


O relógio não para.

A cada segundo que passa os ponteiros seguem girando.

Cada vez falta menos para que você esteja parado na largada. E não é qualquer largada.

VOCÊ VAI CORRER 42 QUILÔMETROS.



Ela é um mito vivo. É uma lenda que revive em muitos cantos do mundo, mas apenas uma ínfima porcentagem de corajosos se atrevem a enfrenta-la.

Ela é a Mãe de todas as distâncias.
É um desafio único, é lenda, é adrenalina, é paixão, é emoção.
E enquanto estou lendo isso, continuam passando os segundos ...



FALTA CADA VEZ MENOS.



Para sentir seu coração batendo forte, suas pupilas dilatadas, os olhos vidrados.
Para meses de treinamento se ponham a serviço dos seus sonhos.
Para que você possa libertar sua garra, sua coragem, seu espirito de vencedor.
Os segundos estão passando ... passou quase um minuto desde a última vez que vocè olhou para o relógio.



FALTA CADA VEZ MENOS.

Para olhar nos olhos dos outros seres humanos que estarão ao seu lado, pessoas que você nunca viu antes, mas que só com um olhar fugaz, sabemos o que estamos sentindo ao mesmo tempo.
Para que você se sinta irmanado com essa massa de heróis enfileirados, que irão atrás do mesmo sonho que você.
Para bater palmas na contagem regressiva, para desejar boa corrida aqueles que estão do seu lado.
O relógio está correndo .. outro minuto passou.



FALTA CADA VEZ MENOS.

Para que o sinal de largada soe como um tiro que faz disparar uma manada de feras.
Para que os gritos de euforia mostrem sua coragem.
Para que um passo após outro, comecemos a participar de uma gigantesca prova de fé e coragem.
E a medida que você pensa, imagina, sente isso... os segundos continuam passando.



FALTA CADA VEZ MENOS.

Para você chegar aos 10, aos 21, aos 30 quilômetros.
para que você possa enfrentar o maldito "muro".
Para que você coloque toda a sua garra e paixão.
Para que você diga a seu mesmo que á razōes que só o coração entende.



FALTA CADA VEZ MENOS.

Para que emocionado e exausto você chegue aos 41 e que sua alma ressuscite.
Para que seus olhos chorem de alegria.
Para que você fique com um nó de felicidade na garganta.
Para que você erga seus braços para dar graças a Deus.
Para que você sinta que existe uma razão.
Para que você abrace forte alguém ou apenas erga meus olhos aos céus admirado de minha proeza.
Para que você repita uma e mais mil vezes que você conseguiu.


FALTA CADA VEZ MENOS.

E aí já não me importarão mais o relógio, o medo e nem as dúvidas.


Eu desejo o melhor para você, porque antes, você queria o melhor também. 

Não pare o seu sonho, mesmo quando vai dura.

Deixo meu abraço.

Vai fazer isso!


Falta cada vez menos... para que você seja um herói 
de tênis por um dia. 

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sábado, 29 de junho de 2013


Maratona à vista!

 Depois de uma pausa tão longa, resolvo dar o ar da graça.

Queria muito ter feito o semana  a semana dos treinos, mas não deu.  Treinos cansativos, filha doente, joelho problemático e projeto de monografia, foram alguns dos motivos que me fizeram desanimar das postagens do blog.  

Com o fim dos treinos, venho contar um pouco do que aconteceu durante este período.

Olha, quando você ouvir que “correr uma maratona não cansa, o que cansa são os treinos”, acredite, ok? É um desgaste pesado, mas tenho certeza de que a ‘recompensa’ será inesquecível. 

Foram 18 semanas de treinos
40 dias de treinos (aproximadamente)
53:57:56 horas
8 longões: ( 21,18,20,20,24,28,24,32)
489,867 km percorridos

Não foi fácil. Nunca disse que seria.

Enfrentei barreiras. Senti muitas dores no joelho esquerdo, após a escolha errada de um tênis, e precisei parar durante alguns dias. Foi aí que desanimei. Fiquei com medo de que fosse uma lesão e isso me tirasse da prova. Puxei o freio de mão total e fiquei cuidando do joelho com gelo e anti-inflamatórios.  Joelho melhorou e pude voltar aos treinos. Nem queiram imaginar o alívio que senti. 

Aí quando você que vai encaixar o ritmo de novo, marido e filha ficam doentes.  Nada de treinos. Again! Acontece, né? Se eles são tão compreensivos comigo, eu tenho obrigação de parar e cuidar deles.

Durante alguns dias conseguir treinar regularmente, mas chegaram épocas de provas da faculdade e eu diminuía o ritmo consideravelmente. 
Mesmo com esses empecilhos, nunca faltei aos longões. Eu acreditei que eram os principais treinos para a maratona, já que focamos em resistência. E como foram, viu? Fisicamente e mentalmente. O apoio da assessoria e as dicas de ouro do Rafa, me fizeram perceber cada mudança. Na pista, em provas curtas era notório o quanto meu preparo físico havia mudado.
Pude aprender muito.  Percebi do que meu corpo é capaz e sei que posso vencer qualquer desafio proposto.

turma da maratona foi de uma energia incrível. Todo mundo na mesma sintonia, mesmo foco e uma vibração contagiante.  Lesões eram inevitáveis e ‘perdemos’ alguns parceiros durante a jornada, mas a maioria resistiu e no próximo dia 7/7 enfrentará estes 42.195km. A troca de experiências foram super válidas e eu, sempre quieta no meu canto, escutava cada palavra do que eles diziam.
Os treinos de polimento, pra mim, acabaram hoje.  Foram ‘só’ 10k na base da força. Força de vontade! Era um daqueles dias em que a cabeça bate o pé e não te deixa fazer nada direito.

Falando em cabeça...
Já ouviram falar em depressão pós-prova? Eu tive uma pré! Depois do longão de 32km, eu perdi totalmente a vontade de treinar.  Esse era o treino mais temido. Todo mundo queria saber como reagiria ao muro dos 30km.  Nesse eu não fui bem. Neste dia, tudo ia dentro do planejado, mas no km 21 tomei um isotônico e tudo desandou. Passei mal. Vontade enorme de vomitar  e eu diminuí muito o ritmo. Em vários momentos, andei. Ô sensação ruim! Não acreditava que num dia tão importante, aconteceria isso. O que fazer? Respira, aceita e segue! A essa altura do campeonato não dar pra ficar chorando pitangas,né?
Voltando à ‘depressão’. Depois deste longão, fiquei dias sem treinar durante a semana. Arrumei várias desculpas para não ir. Estava sem saco mesmo! Parece que ao alcançar a casa dos 30, eu não tinha por que acordar às 4h da manhã para correr 8/10km. Não pensem que fui esnobe. Nada disso. O problema é que o corpo dava claros sinais de cansaço e com ‘pena’ do pobre, eu não ia. 

Mas esse período preguiçoso passou e eu curti os últimos dias de treino.  

Nesses 10 dias que antecedem a prova, fui tomada por uma ansiedade absurda! Sofrida mesmo! Pensar na prova, ouvir o nome maratona, faziam com que meu estômago desse cambalhotas.

Li reportagens, vi vídeos e tentei imaginar como será o dia 7/7. Sei que meus pensamentos não chegam perto da realidade, mas dá pra ter uma noção.

dia 'D' está chegando. Eu nunca imaginei que correria 42.195km. Aliás, nunca imaginei correr 1/2 metro. 


Comecei 2013, planejando quais meias eu faria. De repente, me vejo treinando para uma maratona. Entrei de um jeito nos treinos e saio de outro. Da mesma forma, sei que mudarei após a corrida. Espero que pra melhor... #)

Durante esses últimos dias muitos se perguntavam se fariam outra maratona, outros afirmavam já ter escolhido a próxima.

Eu? Eu afirmei por várias vezes que será a primeira e última.

Cumprirei? Não sei...

Volto no próximo post com meu relato sobre a maratona. 
Torçam por mim!
Até lá! 

















Dica: Vídeo excelente! 
Eu poderia ter dito cada palavra dessa...

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