"A Praça Luiza Távora e o Bosque Eudoro Corrêa, na Aldeota, têm aparelhos de ginástica que podem ser usados livremente. Bom pelo acesso gratuito à uma vida mais saudável.
Ali não tem música eletrônica tocando para “animar” os exercícios, e o vento para aliviar o calor que inevitavelmente surge aos primeiros movimentos não vem de ventiladores. A proposta é se exercitar ao ar livre. As academias a céu aberto e de acesso gratuito ganham cada vez mais adeptos. Nas praças da Capital, elas convidam qualquer pessoa para dar adeus à vida sedentária. O problema, alertam educadores físicos, é realizar atividades sem orientação.
Na praça Luiza Távora, na Aldeota, a base do exercício é o diálogo. O mais experiente ensina o colega e assim todos aproveitam o alongador, os três simuladores de caminhada, o multiexercitador e o “esqui”, aparelho para flexão lateral, instalados após a reforma concluída em fevereiro. “Uma vez um moço que faz esporte disse que do jeito que eu estava fazendo devia prejudicar a coluna”, recorda-se a advogada Ana Célia Silvestre, 38. “Entre a gente, a gente troca ideias”, comenta.
Desde a reinauguração da praça, o cotidiano dela e do marido, o também advogado Moisés de Jesus, 47, ganhou uma nova prática. Além da habitual caminhada, os dois não dispensam uma passada pela academia. “Academia assim deveria ter em todas as praças”, elogia Moisés. Quando não tem ninguém para dar dicas, os exercícios praticados são os “ensinados” em sites da Internet.
“Uma pessoa sugeriu ter um educador físico que oriente”, afirma Ana Célia. “Podiam colocar um painel acrílico com exercícios, instruções de uso dos aparelhos e um relógio digital, pra indicar o tempo”, detalha a servidora pública Gláucia Norões, 42, também usuária da academia da Luiza Távora. “Sempre venho. Essa é uma iniciativa boa”, diz.
Riscos
Que se exercitar é a melhor opção para manter uma vida saudável ninguém duvida. O problema, alertam os educadores físicos, é a prática sem orientação de um profissional. “Isso é um perigo. Eu particularmente não acho uma boa ideia praça sem um profissional. Faça caminhada que é a prática mais segura sem orientação”, explica a mestre em Educação e Saúde e professora do curso de Educação Física da Unifor, Kristiane Sranchi. Segundo a educadora física, é essencial consultar um médico antes de iniciar qualquer prática.
O professor universitário Walter Cortez, especialista em fisiologia do exercício, lembra que cada pessoa tem individualidades que devem ser respeitadas durante a atividade física. “Se mal orientado, no lugar de ser benefício, o exercício traz malefício. Praticar em posições inadequadas, desorientados, pode provocar lesão muscular, articular, um desequilíbrio muscular”, cita.
Por isso, reforça Cortez, todos os equipamentos devem trazer, no mínimo, orientações detalhadas da prática. O que não descarta a necessidade de uma orientação individual. “Cada pessoa tem limitações. E isso tem que ser avaliado”, reforça."
Via O Povo





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